Identidade e autoimagem na terceira idade: Quem são os idosos de 2020?

Pesquisa aponta idosos com mais vontade de viver e mais conscientes do mundo que os cerca do que na primeira edição, realizada 14 anos atrás 

O aumento na expectativa de vida, diretamente relacionado com avanços tecnológicos e na medicina, resulta em pessoas chegando à terceira idade com cada vez mais vigor e vitalidade. Os idosos de hoje têm vida ativa e muita vontade de viver. Por isso, querem exercer seus direitos como qualquer ser humano. Uma pesquisa sobre os Idosos no Brasil, realizada pelo Sesc e pela Fundação Perseu Abramo, mostra como eles têm se sentido em diversos aspectos, além de mapear o que mudou na percepção do envelhecimento nos últimos 14 anos desde que a pesquisa foi realizada pela primeira vez. Os dados são de março de 2020. 

Segundo a pesquisa, apesar de demonstrarem muita vontade de viver, os idosos citam aspectos como doenças, indisposição e dificuldade para realizar atividades como pontos negativos da velhice. Além disso, muitos sofrem com sintomas emocionais como a tristeza e a angústia. Eles também se sentem menos respeitados e com menos direitos sociais que os idosos de 14 anos atrás. 

Os idosos de 2020 têm valorizado o tempo livre e aposentadoria, a ausência de preocupação e suas vivências, mas se consideram pouco respeitados e com poucos direitos sociais. Sofrem menos em relação a preconceito, discriminação e falta de cuidado e atenção por parte da família, apesar de acharem que os idosos de 20 ou 30 anos atrás eram mais valorizados que hoje em dia. Eles acreditam que os jovens os vêem com mais conhecimento, mas os consideram incapazes, e por isso sentem-se muitas vezes incompreendidos, desrespeitados e maltratados por eles. 

A morte é um tema tratado com naturalidade pela maioria dos idosos. Para eles, ela não assusta porque faz parte da vida. Os maiores medos são relacionados ao sofrimento e à dor. Eles também não são adeptos de fazer planos, porque “ o que acontece na vida não depende da gente”.

Gostam mais de atividades fora de casa que os de 14 anos atrás. Passear, fazer atividades físicas manter relações pessoais e frequentar atividades religiosas são as preferidas. As atividades físicas mais praticadas são caminhada, andar de bicicleta e alongamento, sendo que esses dois últimos tiveram um aumento de interesse em 2020. A maioria também mantém atividades de lazer em casa, como ler,  assistir TV e ouvir música.  Quando questionados sobre as atividades que gostariam de fazer, citam viajar, ir à praia, praticar atividades físicas e ir ao baile dançar e a maioria não o faz por falta de dinheiro, saúde ou companhia. 

Esses resultados demonstram a necessidade e a urgência do desenvolvimento de políticas públicas voltadas para as questões relacionadas ao envelhecimento. O estereótipo do idoso moribundo é coisa do passado e o mundo precisa estar preparado para oferecer condições para que eles vivam felizes com a segurança de que estarão amparados pelos seus direitos básicos como seres humanos. 

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