Síndrome Pós Queda: saiba como identificar e tratar

Quando um idoso cai, a preocupação imediata de médicos e familiares é constatar se houve alguma fratura. E não é para menos: as fraturas de fêmur e quadril estão entre as principais consequências de quedas em idosos e, em cerca de 20% dos casos, levam a óbito no primeiro ano. No entanto, além das complicações físicas, é necessário ficar atento às consequências psicológicas, que também podem ser muito agressivas. Após a queda, alguns idosos tendem a culpar-se pelo acontecido, especialmente quando estão dependendo de alguém – para locomoção, alimentação ou curativos, por exemplo. Esse evento potencializa uma tendência prévia à baixa autoconfiança e o idoso pode desenvolver a chamada Síndrome Pós Queda.

Felizmente, há tratamento e a família tem papel importantíssimo na reabilitação do idoso. Continue lendo para descobrir como identificar a Síndrome do Pós Queda, os riscos para a saúde do idoso e como tratá-la.

O que é a Síndrome Pós Queda?

Mais corretamente chamada de Síndrome do Pós Queda, ela consiste no conjunto de sintomas psicológicos limitantes que se manifestam após um episódio de queda. Ela pode acometer qualquer pessoa que sofra uma queda, mesmo nos casos em que não há comprometimento físico ou neurológico. Porém é mais comum em idosos, pois, proporcionalmente, os episódios de quedas também são mais frequentes entre eles.

Síndrome do Pós Queda e a Ptofobia

Muitas pessoas confundem a Síndrome do Pós Queda com a Ptofobia, que é o medo excessivo de cair. Quem sofre de Ptofobia sente um pavor descontrolado de permanecer em ortostatismo (posição de pé, ereta) e tem dificuldades de andar sozinho.

A Ptofobia pode se manifestar em diversas situações de distúrbios psicológicos, a partir de traumas ou acontecimentos marcantes, mesmo que não haja histórico de queda – que por sua vez é um fator indispensável para caracterizar a Síndrome do Pós Queda. É importante destacar que a Ptofobia é o sintoma principal da Síndrome, mas não é o único.

Isso ocorre porque a ansiedade expressada pelo idoso vai além do medo de cair e além da própria queda, pois envolve o medo de machucar-se, ser imobilizado, hospitalizado, ficar fisicamente dependente e ser incapaz de realizar suas atividades diárias.

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Como identificar a Síndrome do Pós Queda

Como mencionamos anteriormente, a Síndrome Pós Queda não está relacionada exclusivamente à existência de alguma lesão ou incapacidade motora: pode ocorrer também em idosos totalmente saudáveis e fisicamente recuperados.

Em um primeiro momento, o idoso evita demonstrar medo mas frequentemente encontra justificativas para não ficar de pé ou caminhar. Ele acredita que ao não se movimentar, estará menos exposto às chances de uma nova queda. Quando precisa caminhar, o faz com muita ansiedade e tensão, segurando-se em móveis ou pessoas e cambaleia para frente como se fosse cair a qualquer momento.

Embora os sintomas da Síndrome do Pós Queda sejam bem particulares, é importante recorrer a um profissional para obter o diagnóstico.

Reflexos da Síndrome para a saúde do idoso

Quando o idoso para de se movimentar, sob o pretexto de evitar novas quedas, o organismo deixa de reservar nutrientes, pois entende que não terá gasto energético, o que resulta em diversas consequências:

  • Perda de força e tônus muscular;

  • Dificuldade na marcha;

  • Comprometimento do equilíbrio;

  • Redução da flexibilidade;

  • Restrição da oxigenação no sangue.

Por esse motivo, costuma-se dizer que a Síndrome Pós Queda é um círculo vicioso, visto que sua consequência é justamente a queda. Observe:

Como tratar a Síndrome do Pós Queda?

Por tratar-se de uma condição psicológica com consequência física, é necessário adotar tratamento multidisciplinar com foco na reabilitação do idoso. Profissionais de diversas áreas são requeridos para essa tarefa e devem ser priorizados aqueles com experiência em geriatria – fisioterapeuta, psicólogo, psiquiatra, neurologista e educador físico são alguns deles.

Nesse momento, o desempenho da família é indispensável para o sucesso do tratamento. Deve-se tomar cuidado para não limitar o idoso nem interferir em sua autonomia, dado que esse comportamento reforça ainda mais o medo de cair.

Os familiares podem ajudar na prevenção: primeiro, conhecendo as causas e os fatores de risco das quedas em idosos; depois, executando as medidas preventivas no ambiente e na promoção de hábitos saudáveis.

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