O que é autonomia do idoso?

Velhice não é doença. Precisamos partir dessa afirmação para entender que, apesar de ser um fator agravante para o desenvolvimento de muitos quadros de doença, o envelhecimento por si só não é uma limitação. Sendo assim, na medida que o idoso não possui enfermidades que o limitem física ou cognitivamente, não há razão para que ele não viva com autonomia mesmo na terceira idade. Mas, afinal, o que significa autonomia do idoso e porque ela deve ser respeitada?

Autonomia do idoso, em primeiro lugar, diz respeito à tomada de decisão acerca da própria vida de acordo com suas convicções pessoais. A participação ativa do idoso no processo de tomada de decisões é  restringida, muitas vezes, pela própria família  ou pelas instituições, quando o correto seria que os responsáveis por ele e, eventualmente, profissionais, avaliassem o grau de capacidade que a pessoa tem para tomar suas decisões. O fundamental é reconhecer que o simples fato de ser velho não impede o indivíduo de tomar suas decisões e exercer plenamente a sua vontade pessoal, baseada em seus valores.

 Por outro lado, o processo de envelhecimento pode reduzir a capacidade funcional e a autonomia do idoso.  Os prejuízos na visão, audição e locomoção podem dificultar algumas tarefas, mas não necessariamente limitá-las. Tudo dependerá do grau desses prejuízos, da capacidade mental e cognitiva e das ferramentas de suporte para cada caso. Uma pessoa pode ter capacidade para realizar algumas atividades de vida diária mas depender de ajuda de terceiros para outras. O processo de dependência, mesmo que parcial, repercute muitas vezes na saúde emocional e na autoestima de quem sofre alguma perda de capacidade. Não é incomum que a pessoa dependente se sinta inferiorizada e incapaz diante da necessidade de apoio para atividades pessoais. 

De acordo com o Estatuto do Idoso, sendo o idoso lúcido, deve ser resguardada sua autonomia para ir e vir, fazer suas escolhas e administrar suas finanças, sem qualquer interferência de terceiros. A lei defende o idoso em caso de abandono familiar, mas também resguarda os direitos de autonomia sobre sua própria vida. Algumas famílias se excedem na proteção ao idoso quando percebem que há necessidade de algum apoio para a condução da rotina diária e, assim, muitos perdem a autonomia sobre a decisão de como e onde viver e até têm de abdicar de hábitos que antes lhes proporcionavam prazer e bem estar.

Nem sempre é preciso desestruturar toda a vida do idoso para lhe conferir segurança e trazer tranquilidade aos familiares. Seja qual for o grau de dependência do idoso, a  sua vontade deve sempre ser respeitada, mesmo que parcialmente, dentro de suas possibilidades e condições. Ter autonomia aumenta a autoestima do idoso, proporcionando uma velhice feliz e tranquila.

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